Calçadas são espaços públicos
14 de fevereiro de 2012

A gente já falou isso algumas vezes aqui no blog. Não é só nas ruas que o respeito entre cidadãos, quaisquer que sejam seus modais e intenções de transporte, é fundamental para a convivência em harmonia.

Fica ainda mais difícil quando falamos de espaços públicos onde não há um código de conduta estabelecido como o Código Brasileiro de Trânsito, as regras de um condomínio empresarial ou residencial, as condutas permitidas num museu, parque, biblioteca.

Esse é o caso das calçadas. As calçadas são espaços públicos por excelência. Mas será que as enxergamos dessa forma?

Foto: divulgação Embasa Balneário Camboriú

Esse é o desafio deste post. Pensar atitudes de convivência nas calçadas e situações cotidianas, mas que não têm regras determinadas. Baita desafio, não? Aí vão algumas propostas. Que tal nos ajudar com sugestões além dessas?

Para começarmos, vamos usar como exemplo, a disputa nem sempre pacífica entre pedestres e skatistas. Certo? Errado? Antes de sermos taxativos por isso ou aquilo, que tal refletirmos?

Em São Paulo nas calçadas da Avenida Paulista não é raro presenciarmos discussões entre esses dois grupos. Os skatistas andam nas calçadas da avenida não porque cismaram com o local. Andam porque as calçadas são mais lisas do que quase todas as pistas disponíveis na cidade. Também a escolheram como reduto devido ao metrô e às inúmeras linhas de ônibus, que facilitam o acesso, qualquer que seja o bairro onde morem.

E o outro lado? As manobras mesmo que distantes dos pedestres, assustam quem não conhece o esporte. Por quê? Porque o skate bate com violência no chão, escapa nas manobras não bem sucedidas. Por exemplo, um idoso por consciência de suas limitações físicas pode se sentir extremamente ameaçado por algo assim, mesmo que distante.

Então, em quase todas as circunstâncias de compartilhamento do espaço das calçadas existe os dois lados. Como conviver? Algumas sugestões:

 

-   Tolerância e aceitação de que as calçadas são de uso permitido por todos é fundamental.

Foto: divulgação Prefeitura de São José dos Campos

-   Assim como nas vias, velocidades devem ser compatíveis. Andar muito rápido entre as pessoas seja de skate, patins ou mesmo correndo, é por si só um risco assumido. Um risco de ferir um pedestre, uma criança correndo sem rumo, um outro skatista, enfim um risco assumido.

-   Skatistas escolherem horários e pontos com menos fluxo de pedestres, bem como darem preferência para realizarem manobras em áreas com recuos, onde pedestres possam ficar distantes.

-   Responsabilidade por nossa integridade física e de quem está ao nosso redor. Uma imprudência não precisa ser intencional para gerar efeitos negativos.

-   A presença de ambulantes é uma questão de ordem pública, então, deixando de lado opiniões se devem ou não ser permitidos e partindo do fato consumado de que são muitos nas calçadas de todo o país, que tal lembrar que nem todo mundo que está andando na calçada, está lá para fazer compras? Que tal ficar atento e parar ao lado das barracas para não impedir o fluxo de quem está passando?

-   Lugar de lixo é no lixo, não no chão. O lixo de residências e estabelecimentos deve ser colocado de forma a não atrapalhar a passagem e somente no horário próximo à coleta.

-   É uma delícia no verão ficar sentado ao ar livre para tomar um suco ou fazer uma refeição, mas o direito de ir e vir de quem passa pela calçada é prioridade. Ou seja, onde não há como conciliar as duas coisas, não há dúvida, ir e vir é prioridade.

-   Manter a calçada em frente à sua casa em boas condições é lei. Agora, zelar pelo bem-estar de todos e mantê-la limpa e desobstruída é uma atitude de civilidade.

-   Calçada não é estacionamento. Simples assim. Exceto quando há sinalização de bolsão para motos, paraciclos e afins.

-   Animais também compartilham esse espaço e cabe aos seus donos não deixarem fezes espalhadas pela calçada. Lembra do primeiro tópico? Todos temos permissão para usá-la e mantê-la nas mesmas condições para que outros a utilizem.

-   Obstáculos, extensão de portões para acomodar veículos grandes em garagens pequenas, degraus de tamanhos diferentes, pavimento rompido e com partes soltas são muito perigosos para todos que utilizam o espaço público da calçada. Por que não pensar coletivamente e manter a calçada de sua casa ou condomínio em boas condições?

-   A manutenção de árvores e raízes são de responsabilidade da prefeitura, mas podemos colaborar para o bem estar de todos, ficando atentos à necessidade de conservação e chamando o órgão responsável sempre que for preciso.

Foto: divulgação. Calçada para cegos e deficientes físicos em Belo Horizonte.

E aí, vamos compartilhar e conviver?

 

P.S: nós do Movimento Conviva vamos além no tema deste post e esperamos que cada vez mais prefeituras, moradores, comerciantes, empresas, secretarias, invistam em modelos ecológicos, seguros, anti derrapagem, com estrutura para cegos, deficientes físicos, enfim, novos tipos que procuramos apresentar ao ilustrar este texto.

 

Foto de capa: divulgação. Calçada Ecológica. Com custo similar às tradicionais calçadas,  são feitas de revestimentos com materiais porosos ou com juntas de assentamento que permitem que a água das chuvas seja drenada através delas.


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